Aprender a aprender é mais do que aprender

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Este artigo aborda a importância da aprendizagem independente e como educar as pessoas para um mundo em que a inovação está se tornando mais central e relacionada às tecnologias digitais. Os cinco fatores socioemocionais, associados às habilidades metacognitivas, que interferem diretamente nos processos de aprendizagem, são descritos. Em particular, destaca-se a Aprendizagem Analítica como a metodologia que permite aos educadores tomar decisões levando em consideração análises sistemáticas e elaboradas dos dados dos alunos e dos contextos educacionais em que a aprendizagem se desenvolve. O conjunto de características referentes às demandas educacionais associadas aos chamados “trabalhos rasos” é apresentado, assim como as principais características associadas aos “trabalhos profundos”. Como principal conclusão, neste panorama em que a inovação é estratégica para atender às novas exigências educacionais, fica demonstrado que aprender a aprender se torna mais importante do que “apenas” aprender.

1. Os cinco principais fatores socioemocionais

O chamado modelo dos “Cinco Grandes”, é o resultado da síntese de um conjunto de abordagens e intensas discussões entre especialistas na tentativa de investigar alguns aspectos sofisticados do comportamento humano. Entre os educadores contemporâneos, há uma forte tendência de associar esses fatores socioemocionais com habilidades metacognitivas, que, além dos elementos cognitivos tradicionais relevantes, interferem diretamente nos processos de aprendizagem. Obviamente, esse é um assunto complexo e controverso, dada a tarefa ousada e pretensiosa de construir um modelo simples que seja ao mesmo tempo sintético e abrangente.

Uma taxonomia razoavelmente bem aceita na comunidade de pesquisa envolve pelo menos cinco principais fatores socioemocionais:

  • (1) Afetividade e Compaixão;
  • (2) Autocontrole e Foco;
  • (3) Estabilidade Emocional;
  • (4) Engajamento e Entusiasmo e
  • (5) Abertura para Experiências.

Cada um desses fatores influenciará, de forma peculiar, as seguintes habilidades gerais:

  • facilidade em adquirir novos conhecimentos e aplicá-los na prática,
  • capacidade de resolver problemas complexos ou abstratos,
  • adaptabilidade,
  • originalidade,
  • carisma,
  • colaboração em grupo,
  • curiosidade,
  • determinação,
  • disciplina,
  • empatia,
  • comprometimento,
  • disposição para inovar,
  • senso de justiça,
  • sociabilidade,
  • liderança,
  • disposição para negociar,
  • tolerância,
  • otimismo,
  • perseverança,
  • resiliência,
  • hospitalidade,
  • habilidade de falar em público,
  • habilidade,
  • o autocontrole, etc.

Essas e outras características semelhantes são consideradas cada vez mais indispensáveis no mundo atual. No entanto, em termos educacionais, ainda estamos no início quando se trata de saber exatamente como medir e promover essas características socioemocionais.

O fator Afetividade e Compaixão é associado a elementos como colaboração, cuidado com os outros, gentileza, respeito, empatia, senso de justiça, confiança, gratidão, perdão, busca pela harmonia e promoção de atitudes de inclusão e justiça em geral, entre outros. Acredita-se que a partir do desenvolvimento dessas características, seja possível aumentar a capacidade de entender o outro, colocando-se no lugar do outro, e, a partir disso, fazer algo que funcione no lugar do outro. Dessa forma, promovemos esse atributo ampliando o respeito pelos outros, tratando todos com educação, de acordo com noções claras de confiança, tolerância e senso de comunidade.

O autocontrole e o foco envolvem características essenciais para garantir a qualidade do planejamento e execução de atividades de diversas naturezas. Eles combinam elementos de autodisciplina, foco e iniciativa em tarefas que aumentam a eficiência, a efetividade e a produtividade em todas as circunstâncias. A perseverança e o controle racional dos esforços estão relacionados à capacidade de concentração, evitando distrações e concluindo com sucesso as tarefas propostas, individualmente ou em equipe. A facilidade de aumentar a consciência de si mesmo e do ambiente circundante permite um maior controle sobre os mecanismos e contextos pelos quais se aprende, aumentando assim a capacidade de aprendizado contínuo. Essa é uma das características essenciais e mais desejadas no aprendiz atual, especialmente no cenário de educação permanente ao longo da vida. Habilidades organizacionais, gestão eficiente do tempo e clareza de propósito, evitando a procrastinação, são fundamentais para a execução de planos com qualidade e dentro dos prazos esperados.

No que diz respeito à Estabilidade Emocional, isso está principalmente relacionado à autoconfiança, autoestima, determinação e sabedoria no enfrentamento de problemas. Essas características são reforçadas naqueles que desfrutam de felicidade, otimismo e tranquilidade. Uma característica marcante desse fator é a tendência de sempre ser positivo, mesmo em situações de falhas momentâneas ou derrotas parciais. O controle emocional permite estimular aspectos de resiliência, combater o estresse transformando eventuais “tombos” em oportunidades para adquirir sabedoria e acumular experiências. São elementos fundamentais para dar continuidade às fases que se seguem em direção ao cumprimento das missões e afirmação positiva da própria personalidade. Uma característica marcante no desenvolvimento desse fator é a percepção de que tanto as situações quanto as pessoas estão em constante movimento e transformação. Portanto, podemos sempre melhorar, possibilitando, com serenidade, aprender e crescer continuamente.

Sobre Engajamento e Entusiasmo, sabemos que a capacidade de criar e aprofundar as mais variadas conexões sociais são elementos essenciais na execução de tarefas de natureza complexa. Incluída nos predicados exigidos está a facilidade de se comunicar em público e expressar claramente opiniões e pontos de vista. Dessa forma, indivíduos com essas características podem influenciar e convencer outras pessoas, fruto da paixão e entusiasmo pelos assuntos em debate, somados à habilidade de transmitir positivamente aos outros membros da equipe na realização de tarefas. Em geral, aqueles com tais características possuem um bom humor acentuado e são espontâneos, facilitando a liderança ao se tornarem porta-vozes de opiniões ou demandas. Em resumo, eles encontram sucesso em seu trabalho porque se sentem à vontade no tratamento geral de qualquer assunto, com o público de diferentes dimensões e em múltiplos contextos.

O fator Abertura para Experiências está associado a comportamentos como curiosidade intelectual, receptividade a novas ideias, tendência a promover inovações, criatividade, senso estético e gosto pela harmonia, espiritualidade, conexão marcante com a natureza, motivação pelo novo e desejo de inventividade e apreciação da autenticidade. São pessoas de mente aberta que aprendem com possíveis erros e obstáculos, caracterizadas pela vocação para a aprendizagem independente, baseada em estímulos à autonomia e emancipação, e pela facilidade de lidar com novas situações, tirando proveito das mesmas e das mais diversas experiências.

Em resumo, a taxonomia apresentada e seus detalhes não têm a intenção de serem definitivos. No entanto, certamente podem ser úteis como pontos de partida para lidar com esse tema complexo. O próximo passo estratégico é a construção sistemática de instrumentos para medir esses fatores socioemocionais, bem como listar ações e abordagens educacionais para estimulá-los essas e outras características em grupos de pessoas ou em cada indivíduo.

2. A análise de aprendizagem (Learning Analytics) como diferencial competitivo

Houve um período em que a adoção de modelos de gestão mais competitivos por si só era suficiente para que uma instituição de ensino alcançasse resultados elevados. Isso não era simples, era inovador e gerava resultados significativos. No entanto, ao longo do tempo, os modelos de gestão se tornaram limitados, por um lado, e transferíveis e replicáveis, por outro. O cenário futuro traz desafios ainda mais complexos. Entre eles está o fato de que as instituições que souberem incorporar adequadamente novas tecnologias e metodologias inovadoras serão aquelas que se destacarão e serão recompensadas com a oportunidade de combinar, com sustentabilidade, escala e qualidade. Entre as tecnologias com maior potencial de realização, em termos de resultados acadêmicos, destaco a Análise de Aprendizagem (Learning Analytics)4.

A Análise de Aprendizagem é a metodologia que permite aos educadores tomar decisões levando em consideração análises sistemáticas e elaboradas dos dados dos alunos e dos contextos educacionais em que a aprendizagem se desenvolve. Ao analisar os dados sobre quanto e como os alunos estão aprendendo, é possível ter uma percepção mais precisa das realidades educacionais. Esses procedimentos possibilitam a implementação de designs de aprendizagem apropriados (“Designs de Aprendizagem”), bem como estratégias e caminhos de aprendizagem. Ao mesmo tempo, essa metodologia contribui para a seleção dos recursos mais adequados, incluindo modos tecnológicos e de entrega de conteúdo, para cada contexto e, no limite, para cada aluno.

Na verdade, os professores no ensino tradicional rotineiramente utilizam dados nos processos de ensino. No entanto, geralmente o fazem de forma limitada e preliminar, precursora do que agora chamamos de Análise de Aprendizagem. Por exemplo, as notas finais, resultantes de alguns produtos, têm consequências relevantes, como aprovar ou reprovar os alunos. Excepcionalmente, professores mais dedicados são capazes, por meio de suas sensibilidades, perceber as peculiaridades de um grupo de alunos, identificar necessidades típicas e mudar procedimentos, mas esses são casos raros e de pequena escala.

Em geral, de acordo com os dados disponíveis, algumas conquistas acadêmicas dos alunos são insuficientes para motivar e guiar mudanças nos caminhos educacionais. A Análise de Aprendizagem, em teoria, permite e estimula adaptações, melhorando a aprendizagem ao reconfigurar, de forma oportuna, os processos educacionais, adaptando-os às realidades específicas e, sempre que possível, às características de cada um dos atores envolvidos.

Em contraste com os poucos dados disponíveis até muito recentemente (basicamente notas individuais de testes), graças às tecnologias digitais, hoje temos uma abundância de informações (“big data”), que nos permite tentar compreender, de maneira nova e inovadora, complexas realidades educacionais. Além das formas usuais de avaliação, podemos explorar, entre inúmeras outras possibilidades, dados resultantes de:

(i) nível e velocidade de assimilação da informação,
(ii) habilidade do aluno em acessar conteúdo e sua autonomia no uso do conhecimento,
(iii) características de respostas “erradas” em testes de múltipla escolha,
(iv) habilidades de comunicação por meio da interpretação e redação de textos complexos,
(v) habilidade na colaboração em equipe, percebendo e combinando fragilidades e potencialidades de cada membro,
(vi) produtividade e eficácia na produção de artefatos,
(vii) competência na resolução de problemas e realização de missões,
(viii) atitudes socioemocionais e comportamento diante de desafios complexos,
(ix) habilidade em matemática, e
(x) adaptação individualizada a diferentes modos de entrega de conteúdo.

Como exemplo, vamos analisar em particular o item (iii) mencionado acima, sobre como podemos usar as respostas incorretas (na Análise de Aprendizagem, elas são tão relevantes quanto as corretas) para melhorar a aprendizagem. De forma simplificada, suponhamos que em um determinado item de teste de múltipla escolha a resposta correta seja (b). É possível criar uma afirmação especialmente elaborada, que busca identificar o aluno que, mesmo entendendo os conceitos básicos envolvidos, escolhe (a) por ler sem a devida atenção. Nesse caso, é um indicativo potencial de que se trata de um aluno cuja habilidade de concentração merece nossa total atenção. Agora, suponhamos que, mesmo estudando e entendendo o assunto, o aluno, mesmo que se concentre, tenha dificuldade em interpretar textos um pouco mais complexos. É possível construir uma afirmação que, provavelmente como resultado dessa deficiência, o direciona para a alternativa (c). Da mesma forma, imagine alguém que tenha dificuldades em matemática; assim, mesmo com eventual domínio do conteúdo, uma operação matemática na qual ele tem dificuldade o leva à alternativa (d). Por fim, uma afirmação especialmente elaborada pode tentar identificar, caso a caso, além de uma falha no domínio geral do conteúdo, pode haver uma deficiência em um conceito específico envolvido e, se for esse o caso, ele provavelmente optará pela alternativa (e).

A fórmula acima é apenas ilustrativa e não há a menor chance, a partir de um único item ou um único teste, de extrair algo substancial. No entanto, com um grande número de perguntas e respostas, e com o elemento adicional no conjunto mais amplo de dados qualificativos citados anteriormente, certamente há características educacionais relevantes que podem ser identificadas. O grande segredo é que, a partir de uma imensa quantidade de informações, algumas considerações mais fundamentadas podem começar a ser ponderadas nos contextos educacionais específicos e em cada aluno individualmente.

Uma vez que tenhamos um material mais consolidado e devidamente analisado, podemos começar a construir caminhos educacionais múltiplos e personalizados. Esses são percursos individuais que indicam ou tentam considerar:
(i) melhoria na concentração,
(ii) melhoria nas habilidades de leitura e escrita de textos mais complexos,
(iii) orientação e facilitação de operações matemáticas básicas,
(iv) exploração de um conceito específico no qual o aluno demonstrou fragilidade, etc.

Curiosamente, quanto mais estudantes, maior o número de testes e mais analistas e curadores temos, melhor elaborados serão os caminhos específicos e as abordagens que podemos propor. Para aqueles que sempre associaram qualidade a poucos e baixa qualidade a muitos, temos um novo paradigma: a escalabilidade que gera qualidade.

Começamos, portanto, a construir algoritmos educacionais inteligentes que nos permitem evitar as limitações e artesanatos que caracterizam o ensino tradicional, fornecendo respostas qualificadas às demandas e garantindo cuidados em larga escala. Isso é marca de uma educação contemporânea em que todos aprendem, aprendem o tempo todo e cada um de maneira única. Esse é o caminho de uma educação flexível, híbrida, adaptativa e personalizada.

Em particular, as empresas educacionais e suas instituições de ensino devem destacar que os desafios em busca da sustentabilidade e da lucratividade, é claro, dependem de bons modelos de gestão. No entanto, enquanto a combatividade pode ser menos relevante na gestão, por outro lado, para conquistas substantivas, é preciso explorar metodologias inovadoras que façam uso adequado das novas tecnologias. Nesse caso, não há soluções milagrosas ou abordagens prontas. Mas, é claro, a Análise de Aprendizagem é um ingrediente indispensável para enfrentar com sucesso os desafios educacionais contemporâneos.

3. Concentração em um mundo disperso: trabalhos superficiais e profundos

Nunca experimentamos o ambiente disperso que caracteriza as sociedades contemporâneas. Nem havíamos vivenciado os níveis de radicalismo e velocidade das mudanças em curso em nossos tempos. O mundo do trabalho e as novas oportunidades de negócios nunca foram tão complexos em sua natureza. Progressivamente, teremos que desenvolver tarefas imersas em ambientes altamente propensos à dispersão. Aprender a lidar com esse fato é uma tarefa educacional sem precedentes.

Elementos do processo de aprendizagem predominante, incluindo memória, domínios simples de técnicas e procedimentos, disciplina e habilidade para desenvolver rotinas e missões predeterminadas, tornaram-se irrelevantes em alguns casos ou insuficientes em outros. Por outro lado, aspectos que costumavam ser negligenciados ou até mesmo considerados, como ênfase na capacidade de concentração, autoconhecimento sobre como aprender, habilidade para trabalhar em equipe e facilidade de adaptação a novos contextos e desafios, tornam-se centrais e estratégicos. O primeiro conjunto de características descritas acima se refere às demandas educacionais associadas ao chamado “trabalho superficial”, e o segundo grupo se refere aos chamados “trabalhos profundos”, de acordo com a terminologia adotada por Carl Newport.

Existem muitas tarefas que não requerem concentração e não envolvem processos cognitivos mais complexos, e podem ser desenvolvidas em ambientes de baixa concentração. Algumas das profissões que mais prosperaram no século XX possuíam essas características. As profissões associadas a essas tarefas não terão relevância no futuro que já começou. Ou seja, qualquer coisa que se assemelhe a uma rotina e possa ser facilmente replicada, sujeita a algoritmos simples, tem seus dias contados. Imersos no universo da inteligência artificial e das máquinas de aprendizado, os empregos e atividades atuais serão ainda mais afetados e esse processo será muito rápido, extremamente doloroso e, de fato, irreversível.

O conflito não se trata de adotar tecnologias inovadoras, especialmente as digitais. É uma questão de como usá-las sem perder o foco, especialmente porque os ambientes virtuais são a principal fonte dessas distrações. A capacidade de realizar atividades que exigem concentração efetiva está se tornando muito rara, justamente numa época em que essas características estão se tornando mais valiosas. Aqueles que cultivam a habilidade de manter o foco adequado certamente serão capazes de enfrentar com sucesso novos desafios e serão recompensados por isso. Aqueles que não conseguem manter a concentração adequada pagarão um preço alto, seja trabalhando em setores menos valorizados ou ficando desempregados.

Quanto à forma de transmitir educação nesse ambiente sem precedentes, não há fórmulas simples ou que funcionem sempre. Estamos caminhando em direção a uma educação personalizada, adaptada às peculiaridades de cada aluno e às características específicas do contexto educacional. As tecnologias digitais nos permitem, teoricamente, conhecer mais sobre o aluno e o ambiente de aprendizagem, contribuindo para fornecer trajetórias de aprendizagem adequadas a cada condição e para cada objetivo específico.

Cognição, numa definição geral e simplificada, refere-se aos processos associados à aquisição de conhecimento. Metacognição refere-se ao que transcende a cognição, onde, tão importante quanto o que se conhece, é a reflexão por parte do aprendiz sobre o próprio processo de aprendizagem. Ou seja, a prática consciente de aprender a aprender, despertando a percepção do aprendiz sobre como ele aprende. Ao priorizar a metacognição, a importância da concentração durante o processo de aprendizagem se evidencia como essencial. Em outras palavras, se a cognição era suficiente para trabalhos superficiais, a metacognição, além disso, é indispensável na preparação do profissional contemporâneo para trabalhos mais aprofundados.

4. Conclusão: aprender a aprender é mais importante do que apenas aprender

Houve um tempo muito recente em que o domínio de determinado conteúdo, juntamente com alguns procedimentos e técnicas, poderia ser suficiente para um profissional atender plenamente às demandas da época. O modelo de desenvolvimento econômico e social era compatível com tais requisitos e as escolas, em todos os níveis, atendiam às expectativas, cumprindo de forma exemplar o que delas se esperava.

O drama é que o tempo, inexoravelmente, avança e mudanças drásticas, rápidas e profundas estão em curso, alterando radicalmente esse contexto. As tecnologias digitais estão rapidamente avançando em direção a uma sociedade onde a informação é totalmente acessível, instantânea e, basicamente, gratuita. Educacionalmente, o que antes era suficiente continua sendo relevante, mas novos ingredientes e características adicionais estão agora presentes com a mesma, ou maior, importância. Na Revolução Industrial e especialmente ao longo do século XX, os predicados de um bom profissional estavam associados aos padrões de produção fordista e taylorista e às habilidades compatíveis com eles. O mundo contemporâneo apresenta desafios inimagináveis algumas décadas atrás, passando por um aspecto essencial associado ao processo de aprendizagem.

Se o material relevante era aquilo que tinha sido aprendido, o que importa mais hoje em dia é o quanto o aprendiz aumentou sua compreensão e controle sobre seu próprio processo cognitivo. Em outras palavras, o aumento do nível de consciência sobre como ele aprende, permitindo, juntamente com os demais atores do processo, gerar estratégias educacionais personalizadas que atendam às particularidades e peculiaridades do aprendiz.

A metacognição é o que definimos como um conjunto de abordagens que transcendem a simples cognição. As habilidades metacognitivas incluem: (i) conhecimento da cognição, incluindo o conhecimento de fatores associados ao desempenho na aprendizagem, domínio de diversos tipos de estratégias adotadas para aprender e como personalizar cada estratégia para situações específicas; e (ii) regulação da cognição, referindo-se ao estabelecimento de planejamento e metas, monitoramento e controle da aprendizagem e avaliação da própria regulação, especialmente os resultados e estratégias adotadas.

Em resumo, o estímulo para os alunos refletirem sobre seus próprios processos e estratégias implica auto-reflexão e a necessidade de aprender a trabalhar em equipe, incluindo a prática de entender o outro, promovendo assim a aprendizagem colaborativa e independente, indispensável em um cenário de aprendizagem ao longo da vida. No processo formativo do aprendiz, além das características tradicionais de natureza mais técnica, são acrescentados um conjunto de elementos socioemocionais, que alguns veem como uma recuperação de elementos humanísticos em oposição a ênfases exclusivamente tecnológicas. Essa dinâmica também pode ser vista à luz da priorização de instrumentos metacognitivos (saber como aprender), além da versão mais antiga da cognição simples.

Do ponto de vista dos empregadores de profissionais do ensino superior e do uso de novas oportunidades de negócios pelos próprios estagiários, o que se aprende nas abordagens clássicas do ensino superior continua sendo indispensável, embora insuficiente, para as atividades do atual universo profissional. No entanto, as abordagens inovadoras que privilegiam as habilidades metacognitivas serão as que definirão os níveis de sucesso desses cidadãos ao longo do cumprimento de suas missões, seja qual for a natureza delas.

Referências

  1. O. S Chernyshenko, Social and Emotional Skills for the Student Success and Well-Being. Conceptual Framework for the OECD Study on Social and Emotional Skills, OECD Educational Working Place, No. 173 (2018).
  2. M. R. Barrick and M. K. Mount, The Big Five Personality Dimensions and Job Performance: A Meta- Analysis, Personnel Psychol. 44, 1–26 (1991)
  3. R. Mota, The Five Major Socio-Emotional Factors, Brazil Monitor, April 21st (2018).
  4. R. Ferguson, Learning analytics: Drivers, Developments and Challenges, Int. J. Technol. Enhanced Learn. 4(5/6), 304–317 (2012).
  5. R. Mota, Learning Analytics as a Competitive Differential, Brazil Monitor, April 6th (2018).
  6. Carl Newport, Deep Work: Rules for Focused Success in a Distracted World (Grand Central Publishing, 2016).
  7. R. Mota, Concentration in a Dispersive World: Shallow and Deep Works, Brazil Monitor, January 2nd (2019).
  8. A. K. Ellis, D. W. Denton and J. B. Bond, An Analysis of Research on Metacognitive Teaching Strategies, Procedia-Social and Behavioral Sciences 116(21), 4015–4024 (2014).
  9. Learning How to Learn is More than Learning, Brazil Monitor, November 5th (2018).

 

 

 

Autor: Ronaldo Mota
Fonte:
World Scientific
Artigo original: https://bit.ly/3DlHVW9

Fernando Giannini

Pesquisador de tecnologia aplicada à educação, arquiteto de objetos virtuais de aprendizagem, fissurado em livros de grandes educadores e viciado em games de todos os tipos. Conhecimentos aprimorados em cursos de grandes empresas de tecnologia, principalmente no Google Business Educational Center e Microsoft. Sócio-proprietário da Streamer, empresa que alia tecnologia e educação. Experiência de 18 anos produzindo e criando objetos de aprendizagem, cursos a distância, design educacional, interfaces para sistemas de aprendizagem. Gestor de equipe para projetos educacionais, no Ensino Básico, Médio e Ensino Superior. Nesse período de trabalho gerenciou equipes e desenvolveu as habilidades de liderança e gestão. Acredita na integração e aplicação prática dos conhecimentos para a realização de projetos inovadores, sólidos e sustentáveis a longo prazo. Um dos grandes sonhos realizados foi o lançamento do curso gratuito Mande Bem no ENEM que atingiu mais de 500 mil estudantes em todo o Brasil contribuindo para a Educação Brasileira.

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