Pesquisa sobre ensino remoto na Educação Básica

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ABED e o Instituto Casagrande, em parceria com o SIEEESP, realizaram uma pesquisa sobre o efeito do isolamento social sobre a educação privada, tanto em termos de sustentabilidade do negócio quanto das metodologias que foram implementadas para seguir operando durante a pandemia.

A pesquisa foi respondida por 206 escolas privadas de 74 municípios do Estado de São Paulo, das quais 187 oferecem Educação Infantil (EI), 178 oferecem Ensino Fundamental I, 147 oferecem Ensino Fundamental II e 111 oferecem Ensino Médio.

As principais conclusões estão apresentadas a seguir.

Situação dos negócios na educação privada

O momento de isolamento social com o fechamento das escolas ocasionou uma evasão total de 15% de alunos na Educação Infantil, mas nos outros níveis de ensino a evasão ficou em torno de 1%, em média. Algumas escolas tiveram mais evasão que outras e algumas até receberam alunos, mas está claro que o Ensino Fundamental I e II e o Ensino Médio praticamente não perderam alunos.

A grande perda ocorreu mesmo na Educação Infantil, como esperado. O grande problema para a educação privada foi o desconto que teve que conceder para reter seus alunos (71% das escolas de EI, 52% de EFI, 46% de EFII e 40% das escolas de EM concederam descontos). Os níveis de descontos concedidos são variados, chegando a mais de 50% na educação infantil integral. Quanto à inadimplência, aumentou entre 25% e 50% a mais do que as escolas estão acostumadas.

Para fazer frente à nova realidade financeira, 16% das escolas demitiram funcionários administrativos e 17% demitiram professores de Ensino Fundamental I. As escolas também recorreram à suspensão temporária do contrato de trabalho e redução da carga horária.

As funções mais preservadas foram a de gestores (houve até contratação) e de professores de Ensino Fundamenta II e Ensino Médio. Aproximadamente 60% das escolas não demitiram e não pretendem demitir estes colaboradores.

A grande maioria das escolas (80% do EM e 99% da EI) antecipou férias.

Com relação ao valor das mensalidades, as instituições que cobram mensalidades mais altas tiveram um pouco menos de evasão, mas isso não é significativo. Quanto ao nível de desconto, não encontramos qualquer correlação com o índice de evasão das escolas.

O fator que tem a maior correlação com a permanência dos alunos um uma determinada escola é o percentual de conteúdo que as escolas continuaram trabalhando (em relação ao que tinham previsto para o ensino presencial) com os alunos durante o isolamento social. Quanto mais conteúdo as escolas continuaram trabalhando, menos evasão sofreram.

Investimentos das escolas

Para fazer frente à nova situação de ensino, as escolas selecionaram e contrataram ferramentas de ensino remoto e conteúdos gratuitos e pagos. Os professores de Ensino Fundamental II e Ensino Médio receberam mais apoio sobre o uso das ferramentas e melhores práticas do que os demais. Eles também receberam um pouco mais de apoio financeiro para investir em tecnologia (41% das escolas adotaram essa prática no EFII e EM).

Entre 48% (Educação Infantil) e 58% (Ensino Médio) das escolas contrataram ferramentas tecnológicas para dar apoio às aulas e entre 24% (Educação Infantil) e 41% (Ensino Médio) contrataram conteúdos neste período. Entre 46% (Ensino Fundamental II) e 56% (Ensino Fundamental I) adotaram ferramentas e conteúdos gratuitos. Muitas escolas adotaram tanto conteúdos e ferramentas gratuitas quando pagas.

Dificuldades das escolas

44% dos gestores de Educação Infantil associam as suas dificuldades com o ensino remoto ao baixo comprometimento dos pais com a educação dos filhos. Neste nível de ensino, ofereceram principalmente atividades síncronas e 64% das escolas esperava de 1 a 3 horas de dedicação dos pais por dia.

As escolas que ofertam Ensino Fundamental I relatam, principalmente, a dificuldade de encontrar metodologias adequadas para esse nível de ensino (32%). 21% das escolas de Ensino Fundamental II e 29% das escolas de Ensino Médio relatam dificuldades para equilibrar as contas, apesar destes terem sido os níveis mais poupados de cortes.

Vale ressaltar que a quase totalidade das escolas de Ensino Fundamental e Médio tem presença acima de 75% dos alunos nas aulas e atividades. De modo geral, os gestores acreditam que os pais do Ensino Fundamental e Médio estão satisfeitos com o serviço oferecido neste momento.

Metodologias Ativas? Preparação para o Século XXI?

Essa pesquisa também revela que o modus operandi das escolas foi de sobrevivência e manutenção das atividades letivas, e não exatamente inovação e preparação para o século XXI.

Nesta amostra, 74% das escolas já usavam aplicativos de comunicação com os pais, mas só 55% ofereciam algum tipo de conteúdo digital para os seus alunos antes da pandemia. Todas as escolas estão realizando aulas síncronas e gostam dos resultados.

Para a quase totalidade das escolas acham que a aula síncrona está sendo mais efetiva que outros métodos. 58% das escolas de Ensino Fundamental I passam atividades para os alunos e 80% das escolas de Ensino Médio também o fazem. Quanto às atividades interativas, que também são possíveis em modelo remoto, somente 53% das escolas de Ensino Fundamental I as propõem e 67% das de Ensino Médio.

Somente em torno de 40% das instituições desenvolveu novas metodologias para este momento, o que também foi a maior preocupação dos gestores no pré-isolamento: como desenvolver novas metodologias, apropriadas para o ensino remoto?

Percebe-se, portanto, que não havia uma mobilização generalizada em torno de ensino digital e adoção de tecnologia na educação, mas as escolas deram um jeito e mantiveram as atividades letivas e os alunos envolvidos com professores e conteúdos.

A necessidade de adotar novas metodologias, com mudança de práticas docentes e prioridades letivas, além de desenvolvimento de habilidades socio-emocionais e habilidades do século XXI, apesar de percebidas como necessárias, de modo geral, ainda não foram colocadas em prática.

A pesquisa foi realizada entre os dias 25 de maio e 9 de junho.

CLIQUE AQUI para acessar as conclusões da pesquisa e a apresentação dos resultados.

Fonte: http://www.abed.org.br/site/pt/midiateca/noticias_ead/1775/2020/06/pesquisa_sobre_ensino_remoto_na_educacao_basica

Fernando Giannini

Pesquisador de tecnologia aplicada à educação, arquiteto de objetos virtuais de aprendizagem, fissurado em livros de grandes educadores e viciado em games de todos os tipos. Conhecimentos aprimorados em cursos de grandes empresas de tecnologia, principalmente no Google Business Educational Center e Microsoft. Sócio-proprietário da Streamer, empresa que alia tecnologia e educação. Experiência de 18 anos produzindo e criando objetos de aprendizagem, cursos a distância, design educacional, interfaces para sistemas de aprendizagem. Gestor de equipe para projetos educacionais, no Ensino Básico, Médio e Ensino Superior. Nesse período de trabalho gerenciou equipes e desenvolveu as habilidades de liderança e gestão. Acredita na integração e aplicação prática dos conhecimentos para a realização de projetos inovadores, sólidos e sustentáveis a longo prazo. Um dos grandes sonhos realizados foi o lançamento do curso gratuito Mande Bem no ENEM que atingiu mais de 500 mil estudantes em todo o Brasil contribuindo para a Educação Brasileira.

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