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TECNOLOGIA APLICADA À EDUCAÇÃO

Quanto custa manter a nuvem no céu para o meio ambiente?

À medida que a humanidade aumenta sua capacidade de intervir na natureza com o objetivo de satisfazer as necessidades e desejos crescentes, aparecem as tensões e conflitos quanto ao uso do espaço e dos recursos naturais. Quanto custa manter a nuvem no céu para o meio ambiente? Em um mundo cada vez mais digital, é essencial refletir sobre os impactos ambientais da nossa navegação na internet.

O PRIMEIRO Código Florestal Brasileiro completa 90 anos em 2024, apesar do código ser antigo, a sociedade ou parte dela parece não entender o que está acontencedo atualmente, mesmo com diversas evidencias apresentadas pela natureza.

O avanço da computação em nuvem e da inteligência artificial (IA) revolucionou profundamente diversos setores da vida, da saúde até o comércio eletrônico. A nossa vida nesta teia com nuvem também mudou radicalmente nossos relacionamos com as pessoas, lugares e coisas.

Agora temos uma nova categoria que polui e desmata, a famosa nuvem ou os desconhecidos data centers. A nuvem que não vemos. A nuvem de computadores, aquela entidade etérea que flutua invisível acima de nossas cabeças, que supostamente simboliza uma revolução tecnológica, mas carrega uma sombra de exclusão, desmatamento e poluição.

Desmata e polui? Sim!! Só para termos uma ideia o data center Lakeside Technology Center localizado em Chicago tem 102 mil m², e utiliza energia de fontes não renováveis.

Atualmente, existem aproximadamente 10.435 data centers espalhados pelo mundo, responsáveis por suportar a infraestrutura digital global. A distribuição desses data centers é bastante concentrada em algumas regiões chave. Podemos observar que os Estados Unidos lideram com cerca de 51,6% do total, abrigando 5.381 data centers. Em seguida, a Alemanha representa 5% com 521 data centers, e o Reino Unido conta com 4,9% com 514 data centers. A China possui 4,3% com 449 data centers, enquanto o Canadá abriga 3,2% com 336 data centers. Outros países, como França, Austrália, e Países Baixos, possuem cada um cerca de 3% dos data centers globais. Esta concentração reflete tanto a infraestrutura tecnológica avançada quanto a demanda por serviços digitais nessas regiões, ressaltando a importância desses hubs na manutenção da conectividade, posse e processamento de dados a nível mundial.

Além da quantidade de data centers é muito interessante vermos a COINCIDÊNCIA dos caminhos dos mais de 420 cabos submarinos (1,3 milhões de quilômetros) , eles repetem o caminho das grandes navegações, ou seja a colonização continua de outra forma.

Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), os datacenters consumiram, em 2022 para toda a internet, algo em torno de 240 a 340 TWh mais 110 TWh para mineração de criptomoeda.

Para efeito de comparação fiz uma media dos valores de energia apenas para uma estimativa, 240+340+110 = 690/2 = 345 TWh, isso representa dar a volta ao mundo 35.558.445 além de despejar 163,88 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera. Só o treinamento do ChatGPT4 consumiu 24.000.000 KwH durante 100 dias, isso representa 2.960,38 voltas ao redor do mundo despejando 13.640 toneladas de CO₂.

 Estes números servem para alertar a enorme quantidade de poluição e energia consumida pelos data centers globalmente e aplicações como a inteligência artificial. É mais importante buscar soluções energéticas mais eficientes e sustentáveis, já que os números de data centers só tendem a aumentar.

Além dos data centers é preciso observar os minerais que são essenciais para a fabricação de eletrônicos, baterias, circuitos, soldas, entre outros produtos.

País Recursos Extraídos
África do Sul Ouro, Platina, Diamantes
Angola Diamantes
Argélia Ouro
Argentina Lítio
Austrália Alumínio (Bauxita), Lítio
Bolívia Lítio
Brasil Ouro, Cobre, Estanho, Tântalo, Alumínio (Bauxita)
Canadá Potássio e Césio
Chile Lítio
Congo Tungstênio e cobalto
Equador Ouro e cobre
Etiópia Ouro e tântalo
México Lítio
Panamá Cobre e ouro
Peru Cobre
Rússia Potássio
Serra Leoa Diamantes e ouro
Sudão Ouro
Tanzânia Ouro
Zâmbia Cobre

Tabela adaptada do site https://www.cartografiasdainternet.org/

Além da quantidade de data centers é muito interessante vermos a coincidência novamente dos países que são os responsáveis por extrair os recursos mineiras.

Ouro extraído ilegalmente de territórios indígenas como Kayapó, Munduruku e Yanomami é comercializado por refinadores que fornecem para grandes empresas tecnológicas, incluindo Apple, Microsoft, Google e Amazon. Aproximadamente 58% das reservas de lítio do mundo estão localizadas na América Latina, principalmente nos países Chile, Argentina e Bolívia.

Uma pergunta importante: para onde vai esse lixo eletrônico?

Gana, Nigéria, Quenia, Malásia e Índia. A China, principal fabricante de eletrônicos do mundo, é também a maior produtora de lixo eletrônico. Em segundo lugar, estão os EUA. No entanto, diferentemente da China, que é a maior importadora desse tipo de resíduo, os EUA exportam seus resíduos tóxicos para a Índia, China e vários países da África.

Essa é a nuvem que promete infinitas conexões, mas cujas precipitações caem desigualmente, revelando um contraste gritante entre a promessa de uma era digital inclusiva e a realidade da segregação a destruição ambiental.

Embora os benefícios sejam importantes é crucial abordar os desafios ambientais associados ao aumento da demanda por data centers e ao desenvolvimento da IA.

  1. Acesso Universal a Recursos de Tecnologia da Informação
    Antes da computação em nuvem, empresas e indivíduos precisavam investir grandes quantias de dinheiro em hardware e software para atender às suas necessidades de TI. Com a nuvem, esses recursos podem ser acessados sob demanda, permitindo um acesso mais fácil e econômico. Pequenas empresas e startups podem “competir” com grandes corporações, pois não precisam de grandes investimentos iniciais em infraestrutura de TI. Isso facilita o acesso à tecnologia.
  2. Escalabilidade e Flexibilidade
    Tradicionalmente, as empresas tinham que prever suas necessidades de capacidade de TI e adquirir hardware suficiente para atender a essas previsões. Isso muitas vezes resultava em desperdício ou falta de recursos. Com a computação em nuvem, as empresas podem ajustar seus recursos de TI de maneira flexível e rápida, conforme necessário, o que permite uma melhor gestão dos recursos e a capacidade de responder rapidamente às mudanças no mercado.
  3. Redução de Custos
    Antes da nuvem, manter uma infraestrutura de TI própria era caro, com custos contínuos de manutenção, atualização e espaço físico. A computação em nuvem reduz significativamente esses custos, já que as empresas pagam apenas pelos recursos que utilizam e não precisam se preocupar com a manutenção do hardware e software, permitindo um melhor uso do capital financeiro.
  4. Foco nas Competências Centrais
    Sem a necessidade de gerenciar uma infraestrutura complexa de TI, as empresas podem focar mais em suas competências centrais e objetivos de negócios, dedicando menos tempo e recursos à gestão de TI. Isso aumenta a produtividade e eficiência, permitindo que as empresas inovem e cresçam mais rapidamente.
  5. Inovação e Acesso a Novas Tecnologias
    A computação em nuvem oferece acesso a tecnologias avançadas e serviços que seriam inacessíveis ou muito caros para muitas empresas desenvolverem internamente. Facilita a adoção de tecnologias emergentes como inteligência artificial, machine learning e big data, impulsionando a inovação em diversos setores.
  6. Trabalho Remoto e Colaboração
    Antes da nuvem, o trabalho remoto e a colaboração global eram limitados pela necessidade de acesso físico aos recursos de TI. A computação em nuvem permite que equipes trabalhem juntas de qualquer lugar do mundo, acessando os mesmos recursos e dados, o que é crucial para a globalização dos negócios e a adaptação a novas formas de trabalho.

Embora a tecnologia seja claramente prejudicial ao meio ambiente, ela também é uma parte fundamental da solução. Portanto, é fundamental que aprendamos a usar a tecnologia de forma sensata, de modo que seja possível fazer a nossa parte na ação climática construtiva e minimizar pegada de carbono.

Pergunte a si mesmo: você realmente precisa atualizar sua tecnologia?

É importante manter sua tecnologia atualizada, especialmente quando os laptops ficam lentos ou quando não é possível usar novos aplicativos e softwares – além de serem ineficientes, eles podem representar um risco de segurança cibernética. Mas a tecnologia evolui rapidamente, portanto, pense bem se você realmente precisa investir nela.

Pergunte a si mesmo: estou navegando de forma consciente na internet?

Toda vez que enviamos um e-mail, estamos aumentando nossa pegada de carbono em aproximadamente de 4g de dióxido de carbono. Se adicionarmos uma foto à mensagem, esse número aumentará para 50g. Embora individualmente esses números sejam pequenos, coletivamente eles são significativos. De acordo com dados do The Radicati Group e Statista, o número de e-mails enviados e recebidos diariamente em todo o mundo cresceu de 269 bilhões em 2017 para 333,2 bilhões em 2022. Para 2023, a estimativa é de 347,3 bilhões de e-mails por dia. Esse crescimento contínuo reflete a crescente digitalização e dependência da comunicação eletrônica.

Vamos fazer uma conta apenas com os emails enviados em 2023 e todos eles sem foto, ou seja 5g de CO₂ por email, para colocar isso em perspectiva é como se tivessemos 377.174 carros, e cada um deles andar 23.004 Km durante o ano, despejando 1,735 milhões de toneladas de CO₂, para apenas um dia do mundo enviando email.

Podemos fazer a conta com o instagram por exemplo, se você navegar no feed por 107,53 horas, você vai despejar na atmosfera 10 kg de CO₂.

Em um mundo cada vez mais digital, é essencial refletir sobre os impactos ambientais da nossa navegação na internet. Cada e-mail enviado, cada pesquisa no Google e cada minuto de streaming contribuem para as emissões de CO₂, alimentadas pelo consumo de energia dos data centers. Portanto, ao adotar práticas de navegação mais conscientes, como reduzir o envio de e-mails desnecessários, limitar o uso de streaming em alta definição e apagar arquivos antigos da nuvem, podemos minimizar nossa pegada de carbono digital e contribuir para a preservação do meio ambiente. Nossa responsabilidade não se limita apenas ao mundo físico, mas também ao digital.

Navegue de forma consciente

 

Referências

https://www.cartografiasdainternet.org/
https://www.cartografiasdainternet.org/fontes
http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/educacao_ambiental/evolucao_historica_ambiental.pdf
https://charitydigital.org.uk/topics/we-need-to-talk-about-the-environmental-cost-of-tech-10864
https://theshiftproject.org/wp-content/uploads/2019/03/Lean-ICT-Report_The-Shift-Project_2019.pdf
https://www.forbes.com/sites/davidrvetter/2021/01/21/uk-among-worst-offenders-for-e-waste-following-black-friday-binge/?sh=7aff024e2c76
https://resource.co/article/uk-worst-offender-illegal-e-waste-exports-says-eac
https://www.itu.int/itu-d/reports/statistics/2022/05/30/gcr-chapter-4/
https://www.itu.int/itu-d/reports/statistics/2022/05/30/gcr-chapter-2/
https://towardsdatascience.com/the-carbon-footprint-of-gpt-4-d6c676eb21ae

What is the energy consumption of the internet?

Footprint Calculator


https://www.eia.gov/outlooks/ieo/narrative/index.php
https://submarine-cable-map-2024.telegeography.com/
https://blog.telegeography.com/this-is-not-a-drill-the-2024-submarine-cable-map-is-here
https://blog.telegeography.com/feast-your-eyes-on-the-2023-submarine-cable-map

Map: The World’s Network of Submarine Cables

 

Autor: Fernando Giannini